Os veículos autônomos estão cada vez mais presentes no noticiário. A todo momento há empresas fechando novos acordos de produção ou realizando testes bem-sucedidos com seus protótipos. Empresas do mundo inteiro estão investindo nisso e é muito provável que, dentro de 10 anos, você faça sua primeira viagem sem motorista em alguma circunstância no Brasil.

Há várias revoluções por vir. Aqui, algumas elencadas. A primeira é que é bem provável que você vai receber as suas encomendas sem nenhum entregador. De longe, um dos maiores esforços para automatizar o transporte tem o objetivo de utilizá-los na área de logística.

A ideia é contar com caminhões e vans sem motorista para transportar produtos entre centros de distribuição, lojas e o cliente final. Segundo a consultoria Emergen Research, o mercado global de veículos autônomos irá valer US$ 24,73 bilhões até 2027.

A Nuro vai colocar seus hatches autônomos para fazer entregas na Califórnia já neste ano. A Udelv quer produzir 35 mil de suas vans autônomas até 2028. A TuSimple quer colocar sua frota de caminhões na estrada até 2024. A Arrival planeja colocar sua frota de ônibus e vans de entrega nas ruas também em 2024.

A Starship, que criou robozinhos de meio metro de altura para delivery em ruas controladas (de campus de universidades, por exemplo), anunciou em fevereiro que já realizou 1 milhão de entregas com seus aparelhos e que isso é só o começo. No Brasil, caminhões da Volvo e da Mercedes-Benz já rodam em operações de colheita de cana-de-açúcar.

Sabem outra novidade? Robotáxi. Isto mesmo. Elon Musk, um dos soberanos da tecnologia mundial, prometeu que, até o final de 2020, a gente teria um milhão de robotáxis da Tesla operando nos EUA. Onde estão eles? Com a pandemia, o foco da inovação tecnológica passou a ser a mobilidade de bens em vez da mobilidade de pessoas.

É por isso que estamos ouvindo falar mais de veículos de entrega do que de veículos para pessoas. Mas isso não significa que eles tenham saído dos planos. O Waymo, da Alphabet, começou a oferecer viagens autônomas ao público em outubro na cidade de Phoenix. O Cruise, divisão de carros autônomos da General Motors, vai começar a operar seus robotáxis em Dubai, em 2023. É o mesmo ano em que o Motional, da Hyundai, pretende começar a operar nos Estados Unidos.

Em junho, a Amazon comprou a Zoox, startup de carros autônomos que está criando um robotáxi que abriga quatro pessoas. Quando for lançado, ainda sem data anunciada, o modelo irá operar no sistema de ride-hailing.

Segurança
Entre 90% e 95% dos acidentes de trânsito são causados por erro humano, dependendo do estudo consultado. Isso inclui motivos como distração, direção agressiva, sono, embriaguez, excesso de velocidade, desrespeito às leis de trânsito e outros.

Em 2020, o Insurance Institute for Highway Safety, uma organização sem fins lucrativos dos EUA, fez uma pesquisa com mais de 5 mil acidentes de veículos e analisou quantos deles poderiam ser evitados com as tecnologias. Conclusão: um terço dos acidentes seria evitado, o que daria pelo menos 2 milhões desses acontecimentos só nos EUA. E isso é só com a tecnologia atual.

O plano das empresas que investem em condução robótica é chegar a uma realidade de zero acidente em carros equipados com a tecnologia.

Assim, com redução drástica dos acidentes, diminuem também as mortes no trânsito e, portanto, aumenta a qualidade de vida e, de quebra, a sociedade ganha com a redução dos gastos com saúde pública.

E os investimentos nesta tecnologia indicam ainda a busca por menos trânsito, menos poluição e um conceito ainda não habitual por aqui: menos posse, mais ride-hailing. Em inglês, já existe uma sigla para o conceito de mobilidade como serviço: “MaaS” ou “mobility as a service”.

Ela encapsula a seguinte ideia: se você pode pedir um carro no seu celular para fazer qualquer viagem, seja curta ou longa, e arcar apenas com o valor barato dessa demanda específica, qual o sentido de possuir um carro? O veículo traz com ele muitos custos (IPVA, combustível, seguro, estacionamento, manutenção, etc.) e esse preço está cada vez mais difícil de pagar.

Os carros autônomos interferem ainda mais com esse sentimento por trazerem novos benefícios às viagens: mais segurança, mais conforto, menos poluição e menos congestionamentos. Acima disso tudo, eles trarão melhores preços, já que a não existência do motorista irá baratear a operação.

Muitos especialistas apontam que, nesse cenário, o produto deixará de ser o carro e se tornará a viagem. O desejo por possuir determinada marca ou modelo será substituído pelo desejo por uma conveniência maior e pelo custo menor. Em vez de lojas de carros, teremos empresas de gerenciamento de frotas.

Essa mudança irá abrir caminho para a expansão dos serviços de ride-hailing (viagens por aplicativo) e car-sharing (compartilhamento de carros), que já são populares hoje. “Isso [tem o potencial] de reduzir dramaticamente o número de carros na rua, 80% dos quais possuem pessoas viajando sozinhas dentro deles, e também de diminuir o custo de transporte de um domicílio, que é de 18% da renda de uma família para um recurso que ela só usa em 5% do tempo”, afirmou Robin Chase, CEO da Buzzcar, empresa de car-sharing, ao site Investopedia. E aí, já se preparou para a revolução dos carros autônomos? (Com informações da Automotive Business)

Fonte: O Popular