Se os programas de assinatura de veículos já eram tendência antes da pandemia, agora esse serviço está cada vez mais concorrido. Além de locadoras, empresas de terceirização de frotas e startups, as montadoras passam a oferecer a modalidade, embora ainda de forma restrita.

“A assinatura é uma mudança cultural. Para ver se vale a pena, o interessado precisa fazer a conta da depreciação para carros mais acessíveis e o quanto vai utilizar o veículo. Para carros premium, aí não estamos falando de mobilidade, é mercado de luxo. Ainda assim, pode ser vantajoso, porque ele troca de carro a cada um ou dois anos e fará a conta da depreciação”, analisa Ricardo Rocha, professor de finanças do Insper.

A oferta do aluguel de longo prazo (a partir de 12 meses), chamada de assinatura, ainda é limitada a algumas fabricantes, cidades e modelos mais caros. As montadoras utilizam a capilaridade de suas concessionárias, muitas vezes por meio da associação das autorizadas da marca, e dos braços financeiros.

Caso da Volkswagen, que acaba de anunciar o programa Sign&Drive, em parceria com a Fleet Solutions Brasil, empresa da Volkswagen Financial Services, que atua na terceirização e gestão de frotas, e Assobrav, a associação que reúne suas concessionárias. “É a solução da marca que vem ao encontro das características de consumo que esse tipo de cliente valoriza”, afirma Rodrigo Capuruço, managing director da Volkswagen Financial Services Brasil.

O plano está disponível, por enquanto, para o estado de São Paulo, com os SUVs T-Cross 200 TSI e Tiguan Comfortline e embute no pacote a documentação (IPVA, licenciamento e emplacamento), seguro, manutenção preventiva e franquia de 1.800 quilômetros para rodar por mês. As tarifas partem de R$ 1.899 por mês do T-Cross no plano de 1 ano. O Tiguan, com assinatura de dois anos, tem mensais de R$ 3.659. As manutenções devem ser feitas pelo usuário em qualquer concessionária e ao final do contrato a autorizada oferecerá novos planos.

Outra estratégia da Volkswagen, em parceria com a locadora Unidas, é a oferta de assinatura do Golf GTE híbrido plug-in, o primeiro da montadora e da locadora que pode ser recarregado na tomada (tecnologia plug-in). No contrato de quatro anos, a Unidas cobra R$ 1.749,50 nos oito primeiros meses e R$ 3.499 do 9º ao 48º mês, com franquia de 1 mil km ao mês.

Volks aposta no Sign&Drive: T-Cross disponível

Mercado de luxo

A Audi lançou seu programa de assinatura em setembro, chamado de Luxury Signature, com a também parceira da Volks, a Fleet Solutions. O projeto-piloto é ainda mais restrito: apenas 20 unidades, abrangendo cidades da região metropolitana de São Paulo.

A duração mínima do aluguel será de dois anos para os modelos A6, A7, Q8 e e-tron, que podem rodar até 2 mil km por mês. Os valores partem de R$ 9.590 para o A6; R$ 9.990 o e-tron Performance, R$ 10.590 para o e-tron Performance Black, R$ 10.990 para o A7, R$ 12.590 para o Q8 Performance e R$ 13.290 para o Q8 Performance Black. A quilometragem excedente será cobrada. Se o cliente quiser, a Audi pode acrescentar a blindagem como opcional. Nesses valores estão incluídos assistência 24 horas, IPVA, documentação, seguro e manutenção preventiva. O cliente deverá levar o veículo para fazer as revisões, sem custo.

“A indústria da mobilidade passa por uma revolução muito intensa nos últimos anos e o avanço da tecnologia nos permite hoje explorar novos modelos de negócios. Nosso objetivo é deixar que o cliente decida se quer adquirir ou usufruir os modelos Audi, de acordo com sua realidade”, disse Johannes Roscheck, CEO e presidente da Audi do Brasil. Após a conclusão desse projeto-piloto, em dezembro, a Audi fará uma análise de todas as informações para estabelecer os próximos passos do programa de carro por assinatura.

Compartilhamento

Desde o seu lançamento, em setembro de 2019, ainda chamada de Mobility Services, a Toyota formou meses depois a Kinto Share, uma joint venture da Toyota Financial Services e a seguradora Mitsui, que junto com parte da rede de concessionárias aluga carros por meio de uma plataforma de compartilhamentos. Mais do que um aluguel, a proposta da Toyota se aproxima mais de um teste drive de maior duração, no qual o cliente conhece o carro e pode, depois, comprar o veículo.

Participam 34 concessionárias do Brasil e aproximadamente 130 veículos estão disponíveis das marcas Toyota e Lexus. O preço médio da diária de um Corolla Altis Premium Hybrid, por exemplo, é de R$ 290. Já a tarifa diária de um Etios Sedan X+ 1.5 AT é R$ 144. Em Salvador, as autorizadas Guebor e Terra Forte dispõem do serviço. O agendamento deve ser feito por meio do aplicativo Kynto Share.

Corolla Altis Hybrid no programa da Toyota

“O serviço se encaixa no compartilhamento de veículos, pois trabalhamos com períodos de contratação de horas até meses, com seguro completo, assistência na estrada, veículos conectados com telemática, central de atendimento 24 horas por dia, sete dias por semana e acesso total aos modelos híbridos Toyota e Lexus, além de serviço de valet e toda a manutenção e reparo feito pelas concessionárias da marca, com peças originais”, explica Roger Armellini, diretor de mobilidade da Toyota e diretor comercial da Kinto.

Até agora o serviço contabilizou mais de 70 mil downloads do aplicativo, 18 mil usuários registrados, cerca de 1.200 carros alugados e um crescente número de concessionárias participantes.

Outra montadora que possui um projeto-piloto é a Nissan, atualmente com planos voltados a funcionários próprios e de fornecedores e prestadores de serviços que trabalham para a montadora. A Nissan ainda estuda se fará um programa semelhante para o público geral.





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